Às Luzes Poéticas

################1aatumblr_liov7iZrD31qdborso1_500

Transubstanciei a essência do verbo
ele então fez-se cor e poesia
e os pensamentos eram raros olores
a adentrarem pelas narinas do tempo

e, o tempo então fez-se ameno,
minutos alvos de horas imaculadas
e foram todos os poetas às luzes
que resplandeciam no beijo do ocaso.

Metamorfoseei as sementes em flores
então fizeram-se miosótis e lisiantos,
então fizeram-se gerânios e margaridas,
então fui o jardineiro de estrelas mortas

e, o céu intumesceu ao negror noturno,
cometas riscaram todos os firmamentos
e foram todos os poetas às luzes
que bruxuleantes atordoavam os versos.

Transmutei minh’alma em puro ouro
alquímico, conhecimentos viravoltearam
em revelações oníricas transcendentais,
então foi profundo o mergulho de introspecção

e, o sonho foi de abóbodas douradas
em salões harmônicos entre as sensações
e foram todos os poetas às luzes
de olhos vítreos que contemplavam o vazio.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

Entre as Carcaças dos Poetas Mortos

################1aaSkull

Entre os vermes de olhares esquálidos
minha carcaça agora é somente morte,
os carrosséis são de animais estáticos
mas, o carrossel da vida gira até o fim.

Os vermes fartaram-se dos poetas mortos
suas carcaças já são apenas seus cabelos
eternos como os versos de tempos de outrora
que deixaram rabiscados na gaveta da escrivaninha.

A morte rondou pelas casas do zodíaco,
a terra que engoliu a carne tornou-se inóspita,
há mortos que sobrevivem hipocondríacos
em becos ou em catacumbas de rutilâncias.

Meus horrores são faces de uma moeda
nos olhos petrificados d’algum defunto,
da vida só quero um pouco, eu quero muito;
quero o verso fúnebre liso na campa, no submundo.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google