Entre as Carcaças dos Poetas Mortos

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Entre os vermes de olhares esquálidos
minha carcaça agora é somente morte,
os carrosséis são de animais estáticos
mas, o carrossel da vida gira até o fim.

Os vermes fartaram-se dos poetas mortos
suas carcaças já são apenas seus cabelos
eternos como os versos de tempos de outrora
que deixaram rabiscados na gaveta da escrivaninha.

A morte rondou pelas casas do zodíaco,
a terra que engoliu a carne tornou-se inóspita,
há mortos que sobrevivem hipocondríacos
em becos ou em catacumbas de rutilâncias.

Meus horrores são faces de uma moeda
nos olhos petrificados d’algum defunto,
da vida só quero um pouco, eu quero muito;
quero o verso fúnebre liso na campa, no submundo.

Jonas R. Sanches
Imagem: Google

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